Bunge digitaliza contratação de fretes rodoviários no país. Uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, a americana Bunge lançou no início deste ano no Brasil, onde também é uma das líderes na área de grãos, uma ferramenta para digitalizar a contratação de fretes rodoviários. A multinacional movimenta cerca de 25 milhões de toneladas de soja e milho por ano no país, e os fretes para o escoamento desse volume somam R$ 3,5 bilhões.

De acordo com Makoto Yokoo, diretor de logística da Bunge no Brasil, o novo aplicativo, chamado Vector, “faz parte da transformação digital” da companhia.

Segundo o executivo, o objetivo principal é eliminar o tempo perdido no processo convencional de contratação de fretes, que normalmente demanda o comparecimento dos motoristas às unidades de produção para a retirada de ordem de carregamento ou conhecimento de transporte, com a emissão dos respectivos documentos para a conclusão desse tipo de operação.

“O aplicativo gera bons resultados para a empresa e para os motoristas. No modelo tradicional, de cada cinco dias o motorista gasta dois ou três com essa burocracia. Com o Vector, as confirmações de carga, unidade onde ela tem que ser retirada, destino e pagamento são online. Levamos o processo, que está totalmente integrado às nossas operações, para a palma da mão do motorista. O cadastramento é simples e oferecemos suporte à tecnologia 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirma Yokoo.

Desenvolvida internamente, com apoio da consultoria Target, que atua nos mercados de logística e TI, a ferramenta começou a ser testada no fim de 2019 e foi disponibilizada a caminhoneiros de todo o país no início deste ano. De 1º de janeiro a 15 de março, o transporte de 500 mil toneladas foi contratado pelo Vector, mas o volume cresceu com o avanço do novo coronavírus no Brasil e as recomendações de que seja evitado o contato físico entre as pessoas para evitar a proliferação do vírus.

Segundo Yokoo, apenas na segunda quinzena de março os fretes fechados via Vector somaram também 500 mil toneladas, e esse mesmo volume já foi alcançado nos primeiros dez dias de abril. “Temos uma base com 320 mil motoristas cadastrados, 60 mil dos quais são ativos. Esperávamos que 80% dos ativos estivessem com cadastro no aplicativo até o fim do ano, mas 45% deles já estão. De fato as medidas de isolamento social aceleraram o ritmo”, afirma o executivo.

Com terminais em oito portos, 65 silos e oito unidade de processamento de grãos, a Bunge movimenta no Brasil sobretudo soja. São entre 18 milhões e 20 milhões de toneladas da oleaginosa por ano, enquanto o transporte de milho chega a cerca de 5 milhões de toneladas. Em 2018 (último dado disponível), a receita líquida da companhia no pais ultrapassou R$ 42 bilhões.

“Pelas características do transporte de cargas no Brasil, que tem peso grande do modal rodoviário, nossa operação no país está sendo pioneira na digitalização dos fretes. Mas poderemos exportar a tecnologia para outras subsidiárias. O fato é que a avenida aberta pelo Vector é gigantesca, e o aplicativo está sendo muito importante na nossa transformação digital”, afirma Yokoo. Segundo o executivo, o tabelamento dos fretes rodoviários que se seguiu à grande greve dos caminhoneiros do fim de maio de 2018 não teve influência no desenvolvimento da solução.

Autoria: Valor Econômico

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